As perguntas certas para as mentiras de sempre.

December 23, 2019

 

A vida mostra-me que há um tempo para tudo, e nas suas voltas muito se torna claro, e como sempre sou livre nas minhas escolhas. Acordo ainda é noite a 3000km de casa, longe das raízes de amor que me nutrem, com o coração tranquilo e aberto, e hoje é o dia certo para falar do que há tanto tempo me persegue.

 

Nasci em 1969, atravessei meio século num país que carrega o peso da sua história. Tenho memórias de coisas que o meu filho nem conhece. As aldeias portuguesas eram na minha infância lugares de brincadeira, mas a dureza da vida estava bem presente no esforço diário dos meus pais, e de tantos como eles.. Naquele tempo não se podia sonhar muito. De geração em geração os passinhos da mudança são lentos, mas tudo conta. De vez em quando há seres que aparecem com um movimento atípico no seio desse caudal lento, e eu era um deles. O meu sonho não era ter um emprego numa fabrica ou num escritório, ou na função pública, ou ter uma casa, marido e filhos, e ser feliz para sempre.

 

Sonhei fazer moda, e contra todas as dificuldades consegui. Realizei o sonho e tive uma marca própria durante uns anos. Mas a vida tinha outros planos para mim. O mundo estava a mudar e aos 34 anos abre-se finalmente a primeira porta, que me trazia o primeiro vislumbre do que eu já esperava desde os finais da adolescência.

Num Portugal profundamente católico e a vibrar constantemente no medo, os primeiros contactos com uma nova possibilidade de reescrever a história foram um bálsamo e simultaneamente uma inquietação. E ali o passinho contido da mudança adivinhava-se já um passo de gigante. Sem o planear, a vida conduziu-me a uma nova consciência, e dali a novas aprendizagens, novas práticas e consequentemente a uma nova ocupação profissional. Sem o planear, o que a minha alma sabia existir, e me dera sinais muitos anos antes, finalmente manifesta-se. Fiz várias formações, conheci professoras e professores inspiradores, e como sempre a minha alma lá estava a dizer-me que ainda havia mais. E esta motivação é uma lufada de ar constante, é uma certeza interna de que o caminho está debaixo dos meus pés e por toda a parte. E ainda sinto a inquietação e o êxtase da criança cósmica dentro de mim. Mas, talvez porque o caminho já se faz longo, também sinto uma clareza que por vezes é tão crua que não deixa escapar nada.

 

Voltado ao tema, em 2006 concluí o curso de leitura da aura com o professor Alberto Alvim , e, sentindo-me em casa abri-me completamente para esta prática. Em 2008 fui convidada pelo meu professor a fazer o curso para formação de terapeutas de leitura da aura, e graças a este movimento uma nova etapa é iniciada. A ti Alberto, sou profundamente grata. Comecei a dar formação de leitura da aura em Tomar, em 2009, à Cláudia e aos meus primeiros alunos também sou profundamente grata. E assim como a todas e todos que nas suas variadas cores passaram pela minha vida.

 

Mas, na mesma altura em que a vida se abria numa nova paisagem e numa nova esperança, tenho conhecimento de que algumas pessoas, desagradadas com a minha presença a fazer este trabalho, decidem de forma grosseira e abusiva iniciar uma campanha contra mim, dizendo que eu não teria permissão para facultar esta formação. O diz que disse mesquinho, feio, e baseado numa MENTIRA espalha-se facilmente no seio da comunidade das terapias alternativas, e começam-me a chegar ecos de afirmações proferidas por 'colegas', alguns dos quais figuras bem conhecidas neste meio, e aparentemente a cima de qualquer suspeita, que sem pudor perpetuam a mentira colocando quem ouve, no mínimo na dúvida. Algumas pessoas questionaram a legitimidade das afirmações, talvez duvidando da motivação que estaria por detrás, e acabaram por chegar até mim, mas estou certa de que muitos terão ficado de pé atrás, e outros tantos optassem também por alimentar a história. 10 anos depois a MENTIRA e a calúnia ainda vivem. Não me vou justificar sobre a qualidade ou motivações do meu trabalho. Digo apenas que levo o que faço muito a SÉRIO, porque por mim passam PESSOAS, e cada história é um espaço sagrado. Digo também que recebi dos meus pais uma coisa muito especial que se chama HONESTIDADE. Fica no entanto no ar a pergunta: a quem serve tudo isto? Uma calúnia deste tipo pode constituir matéria para um processo judicial, sim porque é CRIME sabias? E quem ouve e não questiona?

O dia finalmente clareou, e o sol tímido convida-me a sair para a rua. Creio que ainda tenho muito caminho para percorrer. Agradeço do fundo das minhas entranhas a todos os meus alunos cada abraço, cada história, cada lágrima, cada dança, cada espaço de silêncio. Honro tudo e todos. Lamento se nem sempre fiz o melhor, ensino sempre tudo o que sei, e convosco aprendo TANTO, tanto... Só assim faz sentido, num espaço de encontro e de partilha. A vida é magia pura. É nisto que acredito. Por isso o coração está tranquilo, talvez por acreditar que o puzzle irá encaixando as peças aos poucos. Mas também acredito que o meu filho, os filhos destas pessoas, e todas as gerações vindouras, merecem mais do que isto. E que é aqui e agora que o futuro se traça.

 

Um abraço infinito.

Mizé

 

10 de Dezembro de 2019

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