Representando Atégina na Conferência da Deusa em Sintra, 2019


Em Maio representei a face negra da Deusa, Atégina, a que nos conduz nos caminhos sombrios da morte do ego, da personalidade, das experiências, das ilusões, dos sonhos e da própria vida fisíca, na Conferência da Deusa em Sintra. A esta expressão alquimica da Grande Mãe, do Grande Espírito, agadeço por tudo e pelo tanto que este sopro profundo de morte e renovação me trazem cada vez mais, pela consciência, pelo resgate do que é simples e essencial. Sempre que me deixo beijar, tocar, esventrar por esta dança mágica, algo de novo, e simultâneamente muito antigo volta.

Hoje enquanto estendia a roupa, duas grandes águias voavam e cantavam no céu húmido da minha aldeia. Não entendi o que diziam, mas sei que o seu movimento é, tal como o meu, um caminho sagrado, fruto de um imenso orgasmo cósmico algures lá longe, tão longe que a memória não alcança. O seu canto segreda-me e relembra-me a canção dos meus ancestrais, que mantém viva a vida. E no meu corpo, esta velha teia faz-se fogo, faz-se caminho, faz-se silêncio, faz-se oração.


Assim caminho em direção à terra negra, abraçando esta forma e outras que virão. Levo o coração desperto, os braços abertos, a poesia no olhar, os labios que desvelam mistérios, os dedos que tecem carinho.

Deixo o que não me alimenta, o que não me nutre, o que não me faz sonhar. Deixo partes minhas que já adormeceram.


Na Grande Roda tudo é constante movimento. E este é o maior dos encantos - a Impermanência. Assim, a rendição é uma carícia suave, é um salto, é um sorriso.


Amanhã será outro dia.


Mizé Jacinto

Outubro 2019

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