A sabedoria mágica do corpo.

Um pequeno corte, de apenas alguns milímetros abre portas a uma revolução e só ao fim de 2 meses de ausência volto finalmente e lentamente ao meu corpo, e o Mundo continua a ser um lugar estranhamente maravilhoso.

As prioridades mundanas e o amor alcançam outro nível de grandeza.

A minha criança mostrou-se sozinha e assustada, a querer ser vista e amparada, a pedir o colo que todas as crianças pedem. Com uma clareza cruel vi mais uma vez que o mundo não é o que o coração da criança deseja, vi quem me quer mal, quem me ama e quem me ignorou por completo. E vi para além disso que a “surdez” de alguns é reveladora da surdez do colectivo. Ao observar-me e ao mundo ao meu redor, vejo o quão difícil é encontrar empatia e o quão fácil é cairmos no vazio da indiferença, do isolamento - o amante fiel das feridas internas.

No casulo de silêncio onde vivo há um ruído ensurdecedor constante - anos de agressões verbais, anos de gritos internos e externos, tudo a fervilhar no caldeirão da mente, criaram a alquimia perfeita, para que o corpo, na sua imensa sabedoria, se manifestasse.

Creio que existe na maioria das pessoas um desejo inconsciente para nos despenharmos algures do alto de uma falésia, até que não reste se não um corpo despedaçado, lá no fundo, no lugar mais sombrio. O nosso corpo de dor quer ser visto, mas somos formatad@s desde cedo para a perfeição, a integração social sem nódoas, e por isso aguentamos até rebentar. Uma formatação asséptica que nos retira toda a liberdade de sermos autêntic@s. Esse mesmo corpo de dor está dispostp a se mutilar, a se sacrificar, a se desfazer e voltar a unir a todo o custo, numa lealdade cega a valores, crenças e hábitos que tomamos como parte de nós.

O corpo de dor é um sedutor e é preciso olhar para ele com compaixão e firmeza. Lamber as pequenas / grandes feridas mas afirmar com assertividade - eu Não me submeto a ti.

Acordar para a vida tem destas coisas, um grão de areia no sapato obriga-nos a parar.

Não obstante, a vida segue a sua viagem, os campos estão cheios de flores que não obdecem se não ao seu próprio impulso para crescerem e perfumarem os meus olhos. Não existem meias verdades, existe apenas vida.

Ainda não sei o dia de amanhã, hoje agradeço ao sabio grito do meu corpo, porque continuo aqui,e é aqui que escolho estar. Sei que quem não está comigo também faz parte de mim, que tod@s caminhamos junt@s em algum ponto desta rede multidimensional, e que só por hoje, escolho-me a MIM.

14 de Junho de 2018

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